Da eficácia do ódio

por Ângelo Cavalcante

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Ódio: [do latim ‘odiu’: quer dizer sentimento intenso de raiva e aversão]

Depois do medo é, sem sombra de dúvidas, a principal estrategia de dominação. Aliás, ódio e medo são irmãos siameses. Onde um está o outro inexoravelmente também estará. Sinta ódio! Sinta muito ódio! Dê vazão aos imensos fluxos de ódio e que já habitam em você. É que gente que sente ódio é facilmente manipulável de tal sorte que qualquer discurso rançoso, punitivista ou moralista lhe domina com enorme facilidade o riso e a lágrima. Ao fim, gente que odeia é gente boba.

Não é para menos… É que quando alguém está com ódio o pensamento, a sensatez e a razoabilidade não tem vez; não há o menor espaço para diálogos, entendimentos ou construção conjunta de alternativas. Onde o ódio está as diferenciações e o pensamento crítico são impossíveis de se realizarem.

Não é apenas uma raiva intensa; um sentimento exacerbado, um paradoxo e que se auto-justifica garantindo seus motivos para todos os despautérios que sua realização é capaz de fazer.

No ódio todas as cores se fazem cinzas; todas as fragrâncias se tornam ácidas e; tudo o que é diverso, plural e múltiplo se torna apenas um; o “um” que pode ser eliminado, destruído e arrasado, afinal tudo é “igual”.

Lembram dos debates entre os políticos? Já percebeu que eles se acusam todo o tempo? Um diz que o outro fez isso e aquilo; o outro diz que o “um” compactuou com este mal-feito e com aquela fraude; sabem o que ambos querem, por fim, com essa estratégia? Gerar raiva no outro; produzir descontrole, intempestividade ao nível do ódio.

É que no ódio a comunicação falha, os fluxos mentais coerentes, alinhados e inteligentes se perdem, se embaralham em fluxos intensos de passionalidades e compulsões. O corpo e suas feições são alteradas; o indivíduo começa a suar sem parar; seus olhos se esbugalham, suas mãos ficam trêmulas, sua voz fica embargada, tudo fica desconfortável, seu discurso fica duro feito pedra e o “médico vira um monstro”, o “príncipe vira sapo” e toda a sua segurança se torna um nada.

Procure não sentir ódio! De fato, você será desafiado todos os dias na sua família, no trabalho, no trânsito, pelos políticos, pelo Estado e até por você mesmo, mas… Sinceramente, procure não sentir ódio.

Eu sei e todo mundo sabe que não é tarefa fácil mas o antídoto para combater as pulsações motivadas e estimuladas de ódios e que insistem em vir à tona e com muita força é, primeiro, se conheça; depois, lembre-se que você tem um limite: respeite-o! Em seguida, jamais abra mão de compreender o que está se passando e as razões pelas quais tudo isso está acontecendo e, por fim, nada é mais importante para combater o ódio do que o uso da razão.

Entenda o que está posto; descubra os motivos e as causas das coisas; desvende a essência de toda essa situação e, finalmente, saiba que essa é experiência ou situação que só você pode conduzir.

Faça boa política… Não sinta ódio e vença seu adversário! Bom trabalho!

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara

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