Qual democracia?

Ângelo Cavalcante*
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Quando não se sabe bulhufas de nada de democracia; quando se pensa que democracia é só votar a cada dois anos; quando se acredita piamente que a “santa no altar” da democracia está restrita a pleitos eleitorais; que não possui outras importantes e fundamentais dimensões evidentemente, se esquece de categorias vitais para a própria existência humana como o meio ambiente, a moradia adequada, a preservação da vida animal, a participação e o poder popular gerindo o cotidiano, os direitos das minorias, o sentimento de povo e de mundo.
Quando a democracia é só discurso protocolar na boca de dirigentes e governantes, normalmente de direita; quando instituições são solapadas pelo humor e conveniência de dirigentes despóticos e autoritários a democracia é mera formalidade, rito e letra morta sem a menor capacidade de virar cotidiano e cultura política.
É mais grave do que se possa imaginar! A democracia é posta a prova no cumprimento da lei; na sua conversão em qualidade política expressa na conformação de coletivos politizados e alinhados a partir de princípios sociais, coletivos e, se espantem, anti-capitalistas.
Não tem outra… Evolução e maturidade democrática é a antítese do próprio desenvolvimento totalitário do capitalismo. É que em sua sensibilidade ela identifica a potência produtiva do modo de produção capitalista; não o nega; não o omite, ao contrário, lhe confere nova tradução e, como consequência, nova gestão.
É do que se trata! Ou compreendemos que a política é a irmã siamesa da economia e que a ruptura dos laços históricos e conceituais que enlaçam ambas é a barbárie como lugar comum para dois terços da humanidade ou a democracia como materialidade é apenas um engodo, mais um, dentre os muitos inventados e implementados pelos “donos da situação” para, por fim, perpetuarem o atual e lastimável estado de coisas em que estamos imersos.
Ou assumimos a democracia como horizonte a ser perpetuamente perseguido e espraiado nas fendas e urdiduras da vida cotidiana ou a superestrutura surgida em seu nome e favor não faz o menor sentido.
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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