Afrografiteiras protagonizam a arte urbana feminista

Talvez, muitos esqueçam, mas grafite também é “coisa de mulher negra”. Assim nasceu o projeto Afrografiteiras, que promove e expressa o feminismo preto. A iniciativa é da Rede Nami, coletivo feminista que tem a arte de rua como mote para a promoção dos direitos das mulheres.

O Afrografiteiras nasceu em 2015 pelas mãos da artista Panmela Castro, como um programa de formação em arte urbana voltado para mulheres negras, trazendo à tona a exclusão e violência enfrentadas diariamente por elas. As oficinas são gratuitas, com material incluso, e têm duração de 6 meses. As aulas de grafite são intercaladas com discussões sobre temas que envolvem feminismo, racismo e a força da negritude. O programa, que contou com o financiamento da Fundação Ford, capacitou 30 meninas do Rio de Janeiro no primeiro ano. Até 2017, foram 380 participantes.

Da primeira leva de formação das Afrografiteiras, Myllena Assumpção foi uma das escolhidas para se tornar professora-oficineira do programa. Ela destaca a importância da capacitação de mulheres pretas no grafite como ato político, oferecendo visibilidade a quem não é vista nem ouvida. “Através da militância dessas mulheres, teremos avanços e conquistas possibilitadas pela observação da arte na rua e da voz dada a pessoas que talvez não fossem vistas em mobilizações. O grafite é a voz”, arremata.

O programa já colhe diversos frutos fora do país, através de intercâmbios e oficinas no exterior. Em 2015, Maiara Viana grafitou em um mural no bairro do Bronx, na cidade de Nova York, em uma parceria entre o Afrografiteiras e a Central Única das Favelas (Cufa). No mesmo ano, a artista Tainá Rocha foi ao México para participar do intercâmbio “La iniciativa de protección y respuesta de género” (“A iniciativa de proteção e resposta de emergência à violência de gênero”), realizado graças ao suporte da organização norte-americana Vital Voices, que busca criar lideranças feministas.

O Afrografiteiras também já expôs seus trabalhos na Galeria Scenarium e Cedim, ambas localizadas no Rio de Janeiro, além de ter criado vários murais espalhados pela cidade, sempre disseminando para propagar empoderamento e aprendizado.

Inscrições ainda no primeiro semestre

Para este ano, o Afrografiteiras inscrições em breve para dois projetos. Um deles é o #GrafitandoPorDireitos, que tem como foco os Direitos Humanos, Sexuais e Reprodutivos através das artes urbanas. Serão oficinas com duração de um mês e meio (um total de seis oficinas – uma por semana), com previsão de início em março. A iniciativa é uma parceria do projeto a ONG Criola e tem financiamento do Global Fund For Women. Em abril, começam também as oficinas regulares, que acontecem toda semana e continuam com financiamento da Ford Foundation. As aulas vão até dezembro.

Interessados em participar devem acompanhar a Rede Nami nas redes sociais.

Fonte: Agência de Notícias das Favelas – jornalista Caroline Almeida

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