Lula devorando!

Ângelo Cavalcante*
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Virou esporte nacional atacar Lula; é um ‘puzzle’ praticado de norte a sul, de leste a oeste e conduzido por políticos da direita, centro e esquerda. É fogo amigo, inimigo, desafetado e do mais puro, vil e irracional despeito e ódio. Lula como fenômeno político transcendeu e muto, às raias da política como a conhecemos. Segundo Alberto Carlos Almeida, é de longe, o político brasileiro mais lembrado, tanto para o bem quanto para o mal.
“Chefe de quadrilha”, “comandante de organização criminosa”, “criminoso-mor” e por aí vai… Pelas sendas da esquerda as coisas são mais sutis mas igualmente perversas. Andei lendo a crítica de certos militantes da esquerda e que trata Lula como espécie de “messias”, de “redentor”, evidentemente, em tom pejorativo e de desconstrução. A última agora é tal de “sebastianismo” (?) e que li nas parlas de um pessoal do PSOL.
Lula é fonte inspiradora de toda sorte de neologismo; tem, no entanto, que efetivamente ser explicado. Precisa ser traduzido, interpretado objetiva e materialmente a partir de uma das mais perversas correlações de forças políticas de todo o Ocidente.”Vocês não entendem Lula”, diria o sociólogo Francisco de Oliveira (Programa Roda Viva, 2013).
É verdade! O não entendimento de Lula perpassa pelo fato central de que inexoravelmente, este ‘animal político’ provoca sentimentos intensos, emoções fortes, paixões. É amor ou ódio… Não tem meio termo com o sertanejo-presidente! Eis um dos dramas que marca a trajetória de Lula.
Os excessos são consequências inevitáveis! Na incapacidade de entender material e imaterialmente o “arquipélago Lula” e seu PT de conquistas e titubeios, pululam “invencices” que nada dizem mas que ofendem; geram defecções, rupturas; pipocam pérolas que mais atacam do que clarificam e revelam. E assim segue a pedagogia ou anti-pedagogia política crítica ao Lula.
Por sinal, esta crítica e que é necessidade política e intelectual para o bom pensamento nacional é dimensão esquecida, amiudada e marginal. Sabem por quê? Porque ninguém quer saber quem, de fato, é o Lula político! Fácil mesmo é empreender militância político-partidário com a carinha de salvacionismo tardio do PSOL ou PSTU e que, sinceramente, não mobiliza nem seus próprios afiliados; difícil é encarar teoricamente os processos históricos, sociais e antropológicos que conformaram um sertanejo, retirante, suburbano, tímido e desconfiado em uma das maiores lideranças populares do mundo contemporâneo.
Há o clássico enigma da esfinge lançado contra o príncipe Édipo: “Decfra-me ou te devoro!”. Lula lançou faz tempo essa charada, sobretudo, aos seus opositores e, conforme se confere, ainda não resolvida.
A propósito, a última pesquisa DataFolha (Dez/2017) indica um Lula com inquestionável potência política e que emplaca mais de cinquenta por cento de todos os votos válidos e conferidos; isso implica em arrebatadora vitória já no primeiro turno e para todos os cenários. Por fim, Lula não tem adversários! Quem explica esse cálculo político?
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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