Que eleição?

Ângelo Cavalcante*

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Desde a redemocratização brasileira, os processos eleitorais vieram sendo ininterruptamente apropriados pelo capital. Se por um lado avançávamos com legislações que, por exemplo, permitiam analfabetos e brasileiros residentes em outros países votarem ou ainda com a utilização de tecnologias a envolver urnas eletrônicas, recadastramentos biométricos a fim de evitar fraudes e a mais rápida contagem de votos do mundo, o que nos tornava uma das mais ágeis e modernas democracias do planeta, algo essencial para os sufrágios era sumária e escandalosamente esquecido, o que seja, os caudalosos rios de dinheiro sujo e que escorriam plenos nas eleições degenerando por completo a disputa, as representações, a preferência popular e, por fim, a própria democracia.

Já é sabido por todo mundo que um vereador gasta uma fábula de dinheiros para uma função que, salarialmente, não irá lhe compensar. Mas por quê o faz? Com que propósitos? Ora, pela conquista de benefícios, por negociações, sobretudo, com as áreas da cidade ou pela desenvoltura de esquemas puro e simples a envolver empresários, a câmara municipal e a prefeitura.

Nas disputas proporcionais estaduais e federais mais do mesmo! Candidatos de direita, sobretudo eles, saem comprando votos como se estivessem arrematando frango assando em quermesse de interior. E as pessoas… As pessoas vendem! É impressionante! Na verdade, não poderiam fazer diferente, dado os padrões de miséria desse país perverso.

Então… São trinta anos da Constituição de 1988; trinta anos de eleições “livres” em um país “democrático” e, por incrível que pareça, nosso aperfeiçoamento eleitoral engendrou por outra banda, o mais degenerado e torpe mecanismo político-eleitoral onde os grandes capitais determinam eleitos e derrotados a partir de injeções cavalares de financiamentos em seus candidatos de predileção e isso, de fato, muda tudo.

O bordão que o Partido dos Trabalhadores criou para a defesa da candidatura do ex-presidente Lula para o ainda duvidoso pleito de 2018 é pouco sincero! Diz que “eleição sem Lula é fraude!”. Mas… Como assim? Eleição com Lula ou sem Lula é fraude de qualquer jeito!

Não é o Lula; são os mecanismos eleitorais que não conseguem, nem de longe, coibir as burlas sistemáticas e eficientes impostas pelos grandes financiadores; candidatos de todos os tamanhos, cores e naipes sairão aos montes comprando votos de pobres, miseráveis e alienados. Prefeitos e governadores, de uma forma ou de outra, utilizarão as respectivas máquinas públicas e que controlam para seus interesse eleitorais e ponto final.

As eleições de 2018 (?) serão, como sempre, de péssimo nível, de baixíssimo conceito, pensamento e ideias. Já dá para imaginar o que está por vir! Será um teatro continental de horrores. Em síntese: será fraude em seu começo, meio e fim.

Isso é péssimo para a esquerda e é campo fértil, fecundo e promissor para o pior da direita! O que a esquerda pode fazer e, de fato, só ela poderá fazer, caso entenda que isso seja necessário, é elevar o nível das discussões; dialogar com sinceridade; propor reformas estruturais e de base; pactuar com a população e seus movimentos sociais em prol de retomarmos nossa muito infantil democracia, ainda assim, fundamental para juntarmos os cacos sobrantes de nação.

*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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