O melhor da cidade

Ângelo Cavalcante*
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A cidade é o carro que avança; é o bairro que atrasa; são suas ruas, calçadas e alamedas; é sua iluminação mas também e, sobretudo, é aquilo que pretende iluminar; são seus setores, localidades e suas condições; seus equipamentos urbanos, a infame qualidade de suas moradias populares e são aqueles garotos puxando um “baseado” na ponta da esquina.
É sua gente de vida medonha e são seus ricos esbanjando luxo, vaidade e arrogância; é o pedinte, o mendigo e a prostituta e é o especulador, o rentista e o usurário; é a criança abandonada, o velho moribundo e depressivo e são as alegrias dos estamentos viventes em bairros nobres e privilegiados.
A cidade do capital é a cidade feita e convertida em mercadoria, produto, coisa. Mas não só… Seus conteúdos materiais e imateriais também o são. Se tornam inexoravelmente, peças e itens a serem comercializados como se fossem tomates na feira.
A cidade é o posto de saúde deprimente; é o hospital privado de excelência; é o ‘carrão’ do bacana e o velho ônibus que insiste em não chegar; é medo repulsivo que me corrói por dentro mas são as baladas alegres e cheias de gente boa.
É um drinque elegante no restaurante caro e é a cachaça cortante lá da periferia carregada de estigmas e preconceitos; é a grande empresa prometendo emprego e desenvolvimento e é o José, a Maria e o Antônio garantindo o pão do dia-a-dia no “bico”, na informalidade e em seus vários riscos.
Não… A cidade não cabe em um mapa. Ela é um oceano de coisas silenciosas e que gritam; de realidades que vimos e fingimos não ver; que se mostram latentes e que se escondem sob nossa indiferença pequeno-burguesa, ao fim, temos é que cuidar de nossas vidas e que o prefeito “cuide” da cidade.
A cidade é maior do que esse texto; do que o pensamento dos que, em vão, tentam compreendê-la; das intenções da deplorável ‘gente de bem’, dos discursos do político vigarista e que, depois de eleito, faz dessa mesma cidade uma moeda que cabe no bolso menor de sua calça de grife. A cidade? É uma moeda virtual.
Por fim, a cidade é a que não pode ser definida ou conceituada porque cabe nela todas as sensações e intenções que o animal humano é capaz de desenvolver e é deste eterno e incompreensível turbilhão que os reais e efetivos limites da cidade são finalmente, definidos. A cidade não tem fim e nunca terá e essa é a sua melhor rebeldia.
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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