E o trabalhismo vai…

Ângelo Cavalcante*
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Enquanto a neo-esquerda pós-PT, anti-Lula, moralista, punitivista, de cariz religioso e de um autismo político de difícil discrição e descrição umidificava suas intimidades em gozos silenciosos com os absurdos grilhões de Sérgio Cabral, pedagogia, por sinal, concebida pelo ‘staff’ da reconhecidamente criminosa Operação Lava Jato, o presidente mais anti-Brasil desde as caravelas cabralinas avançava com suas manobras em parceria, é claro, com o mais executivo judiciário do mundo e emplacava como se fizera um “gol de letra” a deputada federal Cristiane Brasil (PTB) para o Ministério do Trabalho.
Caramba! Temer é tudo nesse país! Não perde uma… Um gigante, um titã político e de um poder sem paralelo na infeliz história brasileira. Nem os generais podiam tanto! É impressionante!
Cristiane Brasil não é algo menor! É de enorme simbolismo político! Como todos sabem, essa moça é filha de um dos maiores criminosos políticos do país, o ex-deputado federal cassado, Roberto Jeferson; o operador-mor do “mensalão” e que, vejam bem, nem de longe é invenção dos vacilos do PT; mas é coisa bem anterior. Seu partido, o PTB, tem relação com o trabalhismo como latifundiários goianos tem com a reforma agrária proposta pelo MST: Nadica de nada!
A Ministra Brasil fora condenada pela Justiça do Trabalho por não cumprir elementos básicos na relação empregado/empregador e que à época, eram fundamentais como assinar carteira de trabalho, cumprir pisos e regras salariais outras. Sua posição sobre a extinção da Justiça do Trabalho é quase um drama! Extinguir essa “onerosa” sub-divisão da justiça é, para a Ministra, parte fundamental para a própria “modernização” das relações de trabalho no país.
Como deputada federal votou, em abril de 2017, de ponta-a-ponta pela destrutiva reforma trabalhista da FIESP; fez mais, militou, inclusive, pela terceirização sem peias e irrestrita. Seu vínculo com as candentes demandas dos trabalhadores do país e suas categorias de representação é nenhuma; aliás, jamais dialogou ou interagiu minimamente com entidades do trabalho nem para negar algo ou alguma demanda.
E agora é Ministra do Trabalho! Dá para acreditar nisso? É mais do que escárnio; os despautérios administrativos de Temer se tornaram espécie de arma de guerra contra a esquerda, as oposições e as classes do trabalho.
Sua nomeação simplesmente demonstra de uma vez por todas o lugar do trabalho e dos trabalhadores nesse governo; define abertamente o que é o trabalho para o golpe: uma periferia distante; uma marginalidade; uma sub-questão. Um nada!
Enquanto isso a “nova esquerda”, cheia de “inovações assustadoras”, autoritária, pingando de uma dialética de tipo novo e que está nos levando às presas ao cadafalso da história; como se praticassem um neo-protestantismo bizarro e regressivo desponta pontuando versículos de Marx, Lênin ou Stálin e, mirem bem, mal fala da principal usurpação política da história republicana do país. Caraca… E assim constroem a ‘revolução brasileira’.
Cristiane Brasil nasceu em 21 de dezembro de 1973 em Petrópolis (RJ); é advogada e fora vereadora por três mandatos no Rio de Janeiro. Sua atuação política se deu, linhas gerais, em torno das questões dos idosos. Eleita deputada federal em 2014, votou pelo impeachment da Presidente Dilma Roussef (PT). Seguiu voto favorável em todas as propostas do Governo Temer, dentre elas, a “PEC do teto dos gastos públicos”.
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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