Jovem morre após dar à luz e família acusa Hospital de Saracuruna

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Bruna Vinga Constâncio, de 26 anos de idade, estava grávida e com diabetes gestacional. Na madrugada do dia 28 de janeiro, ela morreu no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias. Valentina, a bebê que Bruna esperava, já havia morrido na noite de 27.

Mariele Martins, Conselheira Tutelar do Distrito de Xerém e amiga da família, tomou a inciativa de veicular pelas redes sociais uma nota denunciando o caso, que somente assim ganhou a notoriedade da imprensa. A Secretaria Estadual de Saúde divulgou à imprensa que abrirá uma sindicância para investigar o caso, mas a família de Bruna garante que nenhuma autoridade entrou em contato até o momento.

Para os familiares, não resta nenhuma dúvida. “Houve negligência, houve erro médico”, garantiu Letícia Freitas, prima de Bruna. “Eu acho que foi mais que violência obstétrica. Ultrapassou. Porque violência obstétrica a gente vê sempre, mas o caso da Bruna foi muito mais do que isso”, complementou ela em tom de indignação.

A prima de Bruna conta que a família fez um boletim de ocorrência na 60ª D.P. e pretende tomar medidas para descobrir o que aconteceu. Após o registro da ocorrência, o corpo de Bruna foi levado para o IML e o laudo deverá ser concluído no prazo de 60 dias.

Valentina seria a primeira filha de Leandro Luiz, companheiro de Bruna pelos últimos seis anos, e ele estava muito feliz. “Ele era uma pessoa muito boa, por sinal, para ela”, garante Letícia, que lembra que a outra filha, de 10 anos de idade, fruto de outro relacionamento, sequer conseguiu ver os corpos da mãe e da irmã antes do enterro, realizado na tarde desta terça-feira (30/01).

A tristeza dos pais de Bruna é ainda maior. O irmão de Bruna, Bruno Constâncio, morreu de leucemia há quase 20 anos, aos 12 anos de idade. Bruna faria 27 anos de idade no dia 13 de fevereiro. “A gente só quer que a justiça seja feita”, disse Letícia.

Mesmo desempregada, Bruna estava muito feliz com a gravidez. Ela sonhava ter sua própria casa e viver nela com sua família. “Ela estava tomando tanta insulina que os braços e as pernas dela estavam todos marcados, porque ela não aceitava que dessem insulina na barriga”, conta Letícia. Eram seis doses diárias.

A obstetra que fazia os exames de pré-natal com Bruna havia indicado parto por cesariana, mas ao completar a 37ª semana, a jovem entrou em trabalho de parto. O médico que a atendeu desprezou a orientação da obstetra e conduziu o parto normal. Bruna e Valentina não sobreviveram.

Veja a íntegra da nota redigida pela Conselheira Tutelar Mariele Martins

“A paciente Bruna Vinga Constâncio de 26 anos foi encaminhada com cerca de 30 semanas para dar continuidade em seu pré  natal no hospital em saracuruna devido estar com diabete gestacional e lá ser referência  em casos de alto risco.  Na ocasião Bruna ficou internada por 17 dias pois sua glicose estava altíssima, ficando sempre acima de 500/600. Quando recebeu sua alta foi pré  escrita a continua com 6 insulinas  e 3 comprimidos  de metiformina diariamente em casa. 

O pré natal passou a ser semanal e a médica  disse que internaria Bruna dia 18/01 para ela ter a neném  ate 1/02, porém  sua glicose foi controlada e não  precisou ser internada no dia 18/01.

No dia 23/01 a médica entregou a Bruna uma guia de internação indicando que seu parto fosse cesariana. Ao chegar no hospital  foi mandada para casa pela médica  da emergência  que alegou não  ter vaga, a guia de internação  ficou em seu prontuário. 

Na última  sexta-feira 26/01 começou sentir um desconforto que aumentou  no sábado  quando ela foi para o hospital ( não  imaginou que estava em trabalho de parto.) Foi internada com 8 cm de dilatação mas a neném ainda não  tinha coroado. Contrariando a indicação  pré  escrita pela médica  do pré natal começaram  a força  em Bruna um parto normal  não  indicado na paciente que também  tinha hipertensão.  Em seu atestado  de óbito foi escrito que foi um parto normal prolongado. 

Forçaram  tanto porém  só  saiu a cabeça  da neném  que pesava 4.800kg. Seu ombro não  passava!  A menina teve uma distorce de ombro.

Depois de muitas horas levaram a paciente para o centro cirúrgico  para só  então  realizar o parto Cesária indicado em seu prontuário. A neném  saiu da barriga da mãe  parada, tentaram reanimar  mas ela não  resistiu. Tinha em seu corpinho  múltiplas fraturas. 

Cerca de 20 horas do sábado  perceberam que a paciente estava com grave hemorragia e voltaram  com ela para o centro cirúrgico. Precisaram retirar seu útero, já era tarde demais, Bruna só  estava com 3% de sangue no corpo. Veio a óbito  na madrugada do domingo 28/01.”

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