Primeira passista trans do Brasil “samba na cara” dos preconceitos

EFE/Antonio Lacerda

“Aos nove anos já não me identificava com meu corpo e, aos 16, quando assumi minha situação, saí de casa para viver minha vida”, contou Marcelly Morena, que agora, com 32 anos, será a primeira passista transgênero do carnaval do Rio de Janeiro.

“É uma satisfação imensa estar sambando na cara do preconceito”, disse Marcelly à Agência Efe ao falar dos sentimentos gerados por ser a primeira passista trans a desfilar no sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Nascida e criada em Duque de Caxias, Marcelly desfilará pela Grande Rio no próximo domingo. “Estou aqui para quebrar tabus”, disse.

EFE/Antonio Lacerda

Muitas escolas de samba no Brasil não permitem que as passistas sejam mulheres transgênero. Mas a realidade, segundo Marcelly, é que “existe a mulher passista, sambista e transexual, e estou aqui para representá-la”.

Marcelly, que usava um traje com as cores da bandeira brasileira, se mostrou orgulhosa após o duro e longo caminho que percorreu até conseguir “vencer” e acrescentou que “hoje está aqui como uma mulher que não depende de ninguém para nada”.

Ela relatou que ficou um tempo sem ver a família porque seu pai não aceitava sua condição, mas agora frequenta a casa de sua mãe, que lhe dá roupa feminina e maquiagem.

“É muito lindo (…) passei por tudo isso, mas consegui vencer”, expressou com um grande sorriso.

Após a experiência, Marcelly afirmou que “entende todos os pais e mães que têm um filho gay, um filho transexual” e assegurou que, em sua opinião, “realmente é muito complicado”.

“Ainda existe bastante preconceito no Brasil, transfobia, homofobia… Eu sou uma militante, uma representante do coletivo e estou aqui para brigar e lutar por toda a minha classe LGBT”, salientou, enquanto vestia sua fantasia.

O Brasil é o país onde há o maior número de assassinatos contra este coletivo e, segundo dados da ONG Grupo Gay, estes homicídios cresceram 30% no ano de 2017, que registrou uma média de um assassinato ou um suicídio de uma pessoa vítima da LGBTfobia a cada 19 horas.

O número de homicídios contra homossexuais, transgêneros e bissexuais no país passou de 343 em 2016 para 445 contabilizados no ano passado.

“Desfilar na Marquês de Sapucaí é um sonho de qualquer sambista porque é um verdadeiro espetáculo o que acontece lá dentro”, disse Marcelly.

Segura de si, Marcelly repete seu lema: “Eu luto contra o preconceito e sambo na cara da sociedade, na cara dos homofóbicos, e na cara das pessoas que têm raiva e ódio da homossexualidade, e estou aqui para representar todos eles” reiterou com contundência.

“E vou dizer uma coisa a mais, eu não sou uma vergonha para a sociedade. Ao contrário, sou um exemplo”, concluiu com orgulho.

Fonte: Agência EFE Rio de Janeiro

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