As praias do Brasil, ensolaradas…

Ângelo Cavalcante*
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Fazem ao menos, trinta anos que o exercito brasileiro intervem no Rio de Janeiro; me pergunto se algum dia, saíram? É tipo anoitecer governo civil e na manhã seguinte a cidade está tomada de milicos. Os argumentos são cantilenas velhas e manjadas: combate ao narcotráfico, retomada de territórios e o restabelecimento da segurança (seja lá o que isso for!).
O resultado é pífio para não dizer coisa pior; é mistura de cobra d’água com jacaré de lagoa ou seja, não serve pro seco e nem para o molhado; a insegurança avança, o narcotráfico se aperfeiçoa e claro, se potencializa e; as milícias, estas instituições definitivas das novas territorialidades ou sub-territorialidades da capital dos cariocas se alargam, se expandem para territórios onde não atuavam.
Não é um fracasso porque novas variáveis da organização do crime despontam; é que não há estrategia militar para os morros do Rio; não há intervenção que dê conta da organicidade civil-militar-criminal daquele cotidiano.
O crime? O crime se mistura, se mescla com os fluxos da vida comum das pessoas; os limites de um e de outro são absolutamente tênues e indecifráveis. Os livros “A cidade nas fronteiras do legal e ilegal” e “Pobreza e Cidadania” da professora Vera da Silva Telles (USP) são boas leituras para explicar esse intrincado fenômeno.
Ao fim, será horror por cima de horror contra trabalhadores pobres desses territórios intensamente estigmatizados. É a perversão brasileira acontecendo com força e energia sob nossas retinas cansadas. Dirão alguns que “é necessário, ao fim, é preciso impor limites ao tráfico”; que “as pessoas de bem não suportam mais” dentre outras pérolas.
O dado novo é que uma intervenção militar “localizada”; feita no meio do “golpão” de Temer ganha nova importância e significado. Considerando que Temer ainda não cumpriu suas “tarefas hercúleas” na retirada insana e obstinada dos direitos dos trabalhadores e que obviamente perpassa pelo desmonte do Estado brasileiro; considerando ainda que o Brasil é peça fundamental no jogo geopolítico para redefinir a política na América Latina e; reconhecendo, por fim, da importância política e econômica do Rio de Janeiro para o país, temos armada uma estratégia tipo “fileira de dominó” onde se derruba a primeira pedra para em seguida…
Os estrategistas do golpe; os ascensoristas do governo terceirizado de Temer ousaram bem desta vez. Cabe reagir! Vamos ver o que dizem os movimentos sociais, o pensamento intelectual orgânico e progressista e a esquerda que está em cena dizem!
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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