Um outro drama brasileiro

Ângelo Cavalcante*

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Em homenagem ao saber cidadão do Professor Luís Felipe Miguel (IPOL/UnB)

Já é desnecessário adjetivar o caótico e moribundo governo de Temer; é desgoverno, anti-governo, a-governo ou categorizações afins e correlatas. Veja bem… Não temos mais uma economia para dizermos nossa; e isso é bastante grave e perigoso. São vinte e seis milhões de pessoas abertamente desempregadas, desocupadas, ociosas e desalentadas. E não é conversa de petista, de bolivariano ou de esquerdopata.

É conferência metodológica rigorosa e verificada de órgãos oficiais como o IPEA e IBGE; estou certo de que medições feitas por instituições como o DIEESE ou CUT irão revelar números bem maiores e dramáticos.

Os impactos dessa tragédia e que já sepultou o curto/médio prazo do país para projetos de maior importância e integração nacional residem justamente no sinistro de que a possibilidade do porvir some não só das políticas de governo mas também do cotidiano de uma população que luta, que sorri e que quer viver.

É que é dramático não ter sonhos para perseguir… E isso não é ‘lero-lero’ de auto-ajuda! É preciso crer no que se faz; acreditar no próprio trabalho e em suas gerações; no empenho pessoal, coletivo e em suas consequências benfazejas. É preciso identificar o lugar onde se está, sobretudo, o lugar político e econômico onde efetivamente se encontra.

A descrença, a apatia e uma espécie de “sedentarismo político e cidadão” são tragédias que inviabilizam qualquer iniciativa pública! Ai de um governo sem povo que vibra, sem uma gente sem o mínimo de energia cidadã.

O governo (ou algo que o valha!) de Temer extirpou e segue extirpando o melhor, mais profundo e autêntico de uma população e que já deu vastas provas de que gosta do Brasil. Um povo que cria, recria; que imagina e que dá forma para o cotidiano. Que inventa coisas, tecnologias, que as implanta nos fluxos da vida comum e que por isso, produz bens, serviços, trabalhos e satisfação individual e coletiva.

Dia desses em uma praia de Santa Catarina vi um rapaz que conduzia uma bicicleta com pequeno e potente aparelho de som devidamente adaptado onde outro tocava bastante bem seu violão e vendia suas músicas. Tudo muito bem feito, com delicadeza e agradando a seus apreciadores.

Outro vez assisti em uma rede social, um pedreiro que havia inventado uma espécie de “peneira elétrica”; era dispositivo simples e sofisticado com uma base que sustentava a peneira

a partir de articulações de metal; acionada por pequeno motor; as engrenagens do artificio permitiam que a peneira fosse em um “vai-e-vem” leve e cadenciado. Os colegas sorriam e agradeciam ao colega pela “boa novidade” que facilitava o trabalho e o dia.

O vídeo do rapaz que adaptou uma caixa d’água com um chuveiro e baterias em seu carro para levar banho quente às crianças das periferias de Uberlândia/MG é outra “sacada” maravilhosa. O cidadão identificou que nos períodos de frio os índices de pneumonia, bronquite e outras doenças respiratórias pipocavam. A estratégia? Banho quente na meninada. A iniciativa fora reconhecida e premiada. Deem uma “googada” na experiência! Vale a pena!

As experiências são muitas e das mais diversas! Pois bem… É esse bom espírito, essa ‘anima’ que está em causa e que deve ser preservada. A obra central do ‘neoliberalista’ Temer  é, de certa forma, a captura do melhor do espírito brasileiro; é a prostração do que temos de melhor em matéria de imaginação e iniciativa a partir da gente do povo e que, como se bem sabe, tanto bem faz ao próprio povo.

Mais do que política e econômica, a desgraça representada por Temer e seu “quadrilhão” já se converteu em tragédia existencial “com supremo e tudo”.

*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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