O lugar da política

Ângelo Cavalcante*

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Tiago Leifert é aquele garotinho boboca e barulhento da TV Golpista; é um pimpolho global que fala e ri; depois fala mais e ri e dá-lhe a sorrir. É tétrico! Um bobo-da-corte… Nada além disso!
Pois em esforço hercúleo por pensar soltou uma ‘pérola’ afirmando que esporte não é lugar de política; não é inovação! Esse tipo de discurso é, por sinal, velho como ódio de rico a pobre! CBF, FIFA, federações esportivas daqui e de alhures não fazem política ‘vinte e cinco’ horas ao dia?
A Globo não faz política com os esportes do país todo o tempo? Com os atletas? Com leis esportivas? Aliás, de tanto fazer política não está denunciada por “propinões” por conta dos direitos de transmissão dos jogos da copa do mundo?
Mas é cada uma! Outra… Neonazistas pipocam por toda a Europa atacando jogadores negros e latinos! Quem não lembra do episódio em que jogaram uma banana para o lateral brasileiro Daniel Alves, ex-Barcelona? A alusão, é claro, é para equivaler Alves a um símio! Daniel, ‘baiano arretado’, muito perspicaz e em magnífica semiótica come a banana diante das câmeras do mundo como que dizendo: “olha o que eu faço com vocês!”.
Ato simbólico da maior importância em um mundo que passa fome, sofre de todo tipo de guerra e onde o nazismo, como bem identificamos no Brasil, acontece livre, sem peias e com atrevimento tal visto apenas no ascenso da Segunda Grande Guerra.
O esporte não é lugar da política? E onde é o lugar da política? Nas universidades? Também não, afinal, nós, os professores, doutrinamos estudantes, manipulamos a ciência e reinterpretamos a história em favor do ‘komintern’; Nas artes? Claro que não; a arte e suas impressões já estão “degeneradas” [vide ‘arte degenerada’ sob os auspícios do nacional socialismo alemão] pelo comunismo e é preciso resgatá-la de sua influência; nas ruas? De jeito nenhum… Pode ser que atrapalhe o trânsito e o fluxo de quem quer ir e vir; nas avenidas do carnaval onde o país inteiro por sinal, em meio às delícias da maior festa nacional bradou rotundo “Fora Temer”? É claro que não… Toda essa politização, de certo, tira a “magia do bom carnaval” porque carnaval, de verdade, vai de marchinhas infantis tipo “se a canoa não virar olê, olê, olá…” ou “você pensa que cachaça é água…” e por aí vai.
Onde é, enfim, o lugar da política? Quem diz onde é o seu lugar? A direita? A FIESP? Olavo de Carvalho? A Globo? Onde deve acontecer o debate e a denuncia crítica, histórica e material acerca das mazelas ancestrais e que trespassam o país de fora a fora?
Onde é o ‘locus’ privilegiado do bom pensamento político, do seu anuncio e das suas denuncias? Nos parlamentos do país, esses antros integralmente dominados por elites locais e regionais preocupadas única e exclusivamente com seus privilégios de quinhentos anos?
Onde, me digam, o cidadão que trabalha, produz e garante substância real para este nosso cotidiano eivado de sofrimentos pode e deve fazer política? Nas redes sociais? De certo pode ser sugestivo e interessante lugar mas, efetivamente, o melhor da política deve ser feito em aberto confronto ao muito deletério oligopólio de mídia que aliena, massifica e estupidifica a imensa maioria da gente brasileira.
A política não tem lugar; a política é o lugar; é nosso lugar ou… Estamos perdidos.
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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