O monstro

Ângelo Cavalcante*

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O ‘frankenstein político’ segue ganhando corpo e forma. Começou pra valer com o golpe de 2016; avançou na composição do ministério mais geronto-macho-branco-sul-sudeste da história brasileira. Deu passos firmes nas relações internacionais onde as caravelas de Cabral são notadamente trocadas pelos botes de George Washington e rompemos de vez com o sul do mundo. É o vai ou racha do Itamaraty onde até já ensaia escaramuças com a vizinha Venezuela.
O bicho foi inchando e dá-lhe reformas ou anti-reformas como o esparadrapo das “profundas” modificações no ensino secundário do país onde conteúdos humanísticos e artísticos são extirpados como se fossem tumores em um corpo. É bom recordar que professores, pesquisadores, especialistas e universidades sequem foram de fato, ouvidos. Diz o governo que modernizou!
O pré-sal, esta plataforma continental de petróleo é entregue às sete irmãs, afinal, para quê estimular e fomentar tecnologias nacionais? Por que se utilizar de empresas e produtos nacionais se podemos terceirizar tudo, inclusive, nossa soberania para os donos do mundo?
A reforma trabalhista que eleva a terceirização e seu amplo leque de flexibilizações à condição de principal estrategia para o complicado e notadamente econômico desafio da geração de empregos é mais uma banda do ‘frankenstein’ que nos governa.
Gerou desemprego, precarizou mais ainda o trabalho, extinguiu postos e funções, ampliou a informalidade em cada canto desse país e levou de lambuja a maior desestruturação do movimento sindical de toda a sua história. O povo se acha agora, vejam bem: desempregado, sem expectativas de trabalho e desorganizado. Tem base uma coisa dessas?
A reforma da previdência ou a mesma privatização da previdência pública seria o pedaço de carne que faltava nesse monstro que urra, pinga sangue e fala pelas tripas. De tão perversa a própria base do governo (e vejam o nível deste congresso!) abandonou o “Temerão”.
A saída encontrada foi a cópula com a viúva negra! Mais perigoso impossível e o governo acaba de dar forma para delicado consórcio civil-militar de governança notadamente instável cuja hegemonia do Planalto vai se dissolvendo. Na balança da política o prato da presidência vai perdendo conteúdo. Os generais, observem, vão despontando na mídia, mostrando seus rostos, lançando discursos, definindo pautas, lançando vernáculos e em nome de certa “organização” vão cerceando a atividade jornalística.
Não é um instante, não é uma ocasião ou procedimento padrão, ao contrário, é vaticínio que indica uma tendência que indica um cenário e que nos mostra um tempo que possivelmente está por vir.
A muito midiática intervenção no Rio está dada; desfazê-la será o principal desafio do golpe se é que há interesse para tal. O frankenstein já é verde-oliva!
*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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