Início da vida escolar: driblando o estresse

A primeira semana de aula já passou mas algumas mães ainda estão aflitas no portão da escola. E ainda ouvem-se choros. Muitas vezes, dos dois lados. É o início a vida escolar que está chegando cada vez mais cedo. Para muitos pais e responsáveis, é difícil aceitar que eles necessitam ganhar autonomia e independência desde a primeira idade. Educadores são unanimes: a escola é um divisor de águas, começa aí o processo de socialização e independência. Para que esse momento seja uma experiência enriquecedora – para ambas as partes – especialistas dão algumas dicas.

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A supervisora pedagógica do Colégio Alfa Cem Bilingue, Maria do Socorro, que tem unidades em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, concorda que a ansiedade de ambos – pais e filhos – na subida desse degrau de construção da autonomia da criança é um sentimento comum diante do novo – mas nada fácil:

– O processo de adaptação envolve tanto a criança quanto a sua família e cabe a escola receber os pais como coadjuvantes dessa fase, convidá-los a participar da adaptação para que através do envolvimento com a equipe, a criança sinta-se segura, já que ela percebe bem o acolhimento do ambiente, diz.

Maria do Socorro lembra que ‘a criança é seletiva na escolha do espaço para o seu bem estar e é fundamental apresentar a escola como uma instituição segura que conduz ao conhecimento, envolvida pelo afeto e companheirismo’. A pedagoga Alessandra Marassi, coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Notre Dame-Recreio, concorda. Segundo ela ‘ambos precisam se sentir seguros e confortáveis nesse novo ambiente’:

– A construção de um espaço afetivo de qualidade é fundamental. Este espaço deve ser criado cuidadosamente com a formação de vínculos afetivos e de confiança’, disse.

Segundo Marassi, atividades acolhedoras, brincadeiras e atenção redobrada ajudam muito este momento e é fundamental que os pais se coloquem numa postura firme e confiante, passando para a mensagem do quanto é bom ficar na escola. Assim que as crianças percebem que a família confia nos professores e na escola, se sentem mais seguras também, explica.

E o choro na porta da escola? Marassi destaca que é absolutamente normal:

– ‘É só a dificuldade de se despedir. Passados poucos minutos, podemos ver a criança se divertindo bastante. Por isso, é importante estar atento a todos estes sinais’, diz. Maria do Socorro endossa as palavras de Marassi: – ‘Muitas vezes o choro é inevitável, tanto para os filhos quanto para os pais, pois esse novo mundo é de tanto encantamento que transborda, diz. ‘A confiança é fundamental’.

Marassi explica que, caso seja preciso que a mãe ou pai fiquem dentro da sala de aula por um tempo, deve-se adotar uma postura mais passiva, passando a responsabilidade dos cuidados e atividades para a professora, só assim a criança vai percebendo que essa nova relação é autorizada pela família.

– ‘O bom dessa história é que, em 27 anos de educação, nunca vi uma criança não se adaptar. Cada um é de um jeito. Uns entram rapidamente na rotina e outros demoram mais. Cada um ao seu tempo e logo todos estão prontos e seguros para viverem essa deliciosa experiência que é aprender, fazer amigos, descobrir e crescer’, diz a coordenadora do Colégio Notre Dame-Recreio.

Supervisora pedagógica do Colégio Pensi, no Recreio, Elisabete dos Santos afirma também que a adaptação é só uma questão de tempo.

– Inicialmente a criança sentirá uma diferença, que é normal, mas logo vai se adaptar e isso depende muito da influência dos pais sobre a criança. É preciso mostrar confiança no colégio e na equipe, diz. Segundo ela, uma boa conversa também é fundamental.

– É preciso explicar à criança que todos passamos por mudanças e adaptações ao longo da vida. Cabe aos pais ressaltar que a professora é boa; que os novos amigos são legais e que a direção, coordenação e demais elementos do colégio vão ajudá-lo a superar essa expectativa. Precisa dizer ao filho que a mudança é necessária para o crescimento dele, explica Elisabete, que enumera algumas dificuldades e como lidar com elas.

As dificuldades mais comuns:

– Falta de entrosamento, inicial, com os novos colegas;

– Adaptação às novas regras, afinal, ainda não se desprenderam da zona de conforto;

– Não conhecer os professores e funcionários e, por isso, não se sentir segura e amparada.

– A saudade do antigo colégio, onde já tinha seu ambiente formado.

Como os pais devem lidar com os problemas de adaptação das crianças:

– Ir ao colégio sempre que sentirem necessidade a fim de constatar relatos do filho;

– A criança pode até ajudar os pais na escolha do novo colégio, mas a decisão final cabe aos pais;

– Em muitos casos são os pais que não se adaptam aos novos horários, lugares, normas e acabam transferindo isso indiretamente aos filhos. Portanto, escolhida a escola, é proibido falar mal dela.

– Nunca se atrasar para buscar a criança. Isso gera expectativa e sensação de abandono.

Colaboração: Grace Marinho

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