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Após reeleição, Putin diz ao Ocidente que não deseja corrida armamentista

MOSCOU (Reuters) – O presidente russo, Vladimir Putin, assumiu um tom mais suave em relação ao Ocidente nesta segunda-feira, após conquistar sua maior vitória eleitoral, dizendo não ter nenhum interesse em uma corrida armamentista e que fará tudo que puder para resolver disputas com outros países.

A vitória de Putin, que acontece em um momento em que suas relações com o Ocidente estão em uma trajetória hostil, irão estender seu domínio político sobre a Rússia por seis anos, até 2024. Isso o tornará o governante russo com o maior mandato desde o ditador soviético Josef Stalin, e tem levantado preocupações no Ocidente sobre a continuidade de confrontos.

Mas Putin, de 65 anos, usou uma reunião no Kremlin com os candidatos que derrotou na eleição de domingo, para sinalizar seu desejo de focar em questões internas, não internacionais, e na tentativa de elevar padrões de vida investindo mais em educação, infraestrutura e saúde e reduzindo os gastos com defesa.

“Ninguém planeja acelerar uma corrida armamentista”, disse Putin. “Nós faremos tudo para solucionar todas as diferenças com nossos parceiros usando canais políticos e diplomáticos.”

Seus comentários, que provavelmente serão recebidos com ceticismo no Ocidente depois de anos de confrontos, marcam uma mudança de tom após uma campanha eleitoral belicosa, na qual Putin revelou novas armas nucleares, com poder, disse, de atingir praticamente qualquer ponto do mundo.

Fonte: Reuters Moscow – Por Andrew Osborn e Christian Lowe – Reportagem adicional de Denis Pinchuk e Maria Kiselyova

Irradiando magia

Ângelo Cavalcante*

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A relativização nociva, sub-politizada e muito mal-intencionada acerca da execução da vereadora Marielle Franco já é parte da operação e que pretende se conformar em estratégia política para os fins eleitorais deste já muito atribulado ano. As razões são óbvias! Marielle não era uma burocrata, uma cumpridora convencional de ritos e rotinas. Seu corpo, sua estética, o vernáculo que utilizava e sua carga simbólica contava muito bem de si.

Está evidentemente, se tornando um ícone. Um expoente notável e irremovível da causa negra e não poderia ser diferente! E se há algo que a direita proto-fascista, neocolonial e neoconservadora do Brasil odeia; mas odeia com todas as forças do seu ser são os símbolos da esquerda.

Mas reconheço, no entanto, e com certa felicidade que o gostoso da nossa esquerda é que ela está, digamos, se tropicalizando! A causa negra é historicamente da esquerda, aliás, seria muito estranho que fazendeiros e latifundiários do Pará ou de Goiás levantassem bandeiras e reivindicações dos negros; da mesma forma, as questões das mulheres são historicamente do campo da esquerda; os enfrentamentos da ampla comunidade LGBT igualmente, tiveram guarida e desde sempre, na esquerda.

Marielle era um combo icônico! E são poucos ou muito poucos os políticos do Brasil com tais características! Vejam: mulher, negra, gay, favelada, mãe solteira, militante dos direitos humanos, da esquerda socialista, estudiosa da segurança pública, professora e o pior, bem pior… Uma intelectual preta.

Conhecem um político/política com tantas interfaces sociais? Com tantas frentes identitárias? Marielle era um fantástico e vivo mosaico cultural e político. Observem que vou, ao menos tento, decifrar a contra-informação, o contra-simbolismo e que corre frouxo nas redes sociais contra Mari!

E para lançar o xeque-mate, é preciso que se diga que a vereadora jamais defendeu qualquer tipo de violência contra trabalhadores-policiais! Nunca e em momento algum de sua caminhada!

A tática da direita está dada e é desconstruir Marielle! É achar que essa liderança absolutamente distinta e original era só mais uma na multidão; afinal, “tanta gente morre todos os dias no país e…”. Potoca e confusão!

Ninguém em sã consciência defende a morte de quem quer que seja; isso não faz o menor sentido. A dor por sua morte é pelo “diamante raro” e que representava; que seguia no tênue limite entre a denuncia e o cuidado social com todos os trabalhadores, inclusive os da segurança pública; na preservação da vida de negros e marginalizados na delicada atenção de evitar revanchismos e que inexoravelmente descambariam em mais hostilidades e guerras; no questionamento aberto e democrático acerca do modelo de Estado presente e visivelmente seletivo no extermínio da juventude negra mas com a leveza de não descambar em discursos magoados e lamurientos.

Conseguem entender o sofisticado dessa lógica político-discursiva? Dá pra imaginar a construção conceitual a envolver essa fina elaboração? Passa pela cabeça de vocês uma mulher com o histórico de Marielle e executando esse balé intelectual, argumentativo e político?

Marielle não deveria estar limpando alguma cobertura bacana na Zona Sul do Rio? Não deveria estar negociando seu corpo em alguma parte da zona portuária da cidade? Não tinha de estar em algum boteco “copo sujo” lavando pratos e fritando iscas de peixes para bêbados e solitários?

Ocorre, prestem atenção, que essa mulher é ponto fora da curva, uma exceção, uma disfunção do sistema neoescravista do Brasil e sua morte já é gigantesco prejuízo político para toda a esquerda brasileira.

Essa é a sua grandeza, o seu tamanho político, sua envergadura! E é por isso que Mariella já é problema para a direita. A esse respeito, vi que uma desembargadora “não sei quem” contou em tonalidades raivosas que a vereadora tinha relações com uma muito influente facção criminosa do Rio; mas não me diga isso…  Querem saber? Nem me espanto mais com esse judiciário e sua gente do além-Marte! Essa casta “tipo A” e que diz que mora no Brasil.

Digam-me uma coisa, quem de nós não tem relação direta ou indireta com o já continental crime organizado brasileiro? Que empresa, prefeitura, governo estadual ou federal não tem de mediar, de uma forma ou de outra, com o muito elaborado e complexo crime organizado?

É como respirar, comer ou dormir! Ninguém escapa do poder, do laço, das influências e determinações do crime organizado, inclusive, presente no sistema bancário global/local, em máfias de transporte público, nos esquemas de impostos, nos financiamentos eleitorais e nos mercados ilegais de itens eletrônicos; está em todas as estruturas do Estado e nadando de braçadas nas amplas e turvas paragens do judiciário brasileiro.

Que a direita cuide de azeitar seu discurso de medo e ódio porque um espectro ronda os pleitos de 2018; tem asas largas, sopra frio, ecoa um grito gutural e tem um nome muito perigoso… Se chama Marielle e a história está apenas começando.

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

Relatório da Unesco sobre água propõe soluções baseadas na natureza

Mairiporã (SP) - A barragem Sete Quedas faz parte do Sistema Cantareira de abastecimento de água para a capital (Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lança nesta segunda-feira (19) o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018, durante a abertura oficial do Fórum Mundial da Água, em Brasília. A edição incentiva a busca por soluções baseadas na natureza (SbN), que usam ou simulam processos naturais para contribuir com o aperfeiçoamento da gestão da água no mundo.

O documento mostra que apesar da disseminação das tecnologias que envolvem a conservação ou a reabilitação de ecossistemas naturais, esses processos correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos. Segundo a oficial do Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos da Unesco, Angela Ortigara, o objetivo da publicação é incentivar a adoção de soluções baseadas na natureza para que sejam efetivamente consideradas na gestão da água.

“O que acontece,  muitas vezes, é que, por facilidade, praticidade ou falta de conhecimento, ninguém pensa que se pode utilizar a natureza para gerenciar, por exemplo, enchentes ou prevenir um caso de seca. E, no entanto, o que a gente quer nesse relatório é mostrar que não é preciso necessariamente construir grandes obras de infraestrutura para melhorar a gestão da água”, afirmou Angela, em entrevista exclusiva aos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O relatório da Unesco ressalta que abordagens tradicionais não permitem que a segurança hídrica sustentável seja alcançada. Já as soluções baseadas na natureza trabalham diretamente com a natureza, não contra ela e por isso oferecem meios essenciais para ir além das abordagens tradicionais, de modo a aumentar os ganhos em eficiência social, econômica e hidrológica no que diz respeito à gestão da água. “As SbN são especialmente promissoras na obtenção de progressos em direção à produção alimentar sustentável, à melhora dos assentamentos humanos, ao acesso ao fornecimento de água potável e aos serviços de saneamento, e à redução de riscos de desastres relacionados à água. Elas também podem ajudar na resposta aos impactos causados pela mudança climática sobre os recursos hídricos”, diz a publicação.

“O relatório quer que as pessoas abram os olhos para soluções que talvez não estejam tão claras do ponto de vista de engenharia, não sejam tão conhecidas, mas que podem trazer soluções que não são banais. Se decidir reflorestar uma área, a primeira coisa que vai pensar é: essa área estará coberta, terá animais, mas também ajudará a recarregar a água subterrânea, os aquíferos”, disse a oficial da Unesco. “Há uma série de benefícios que são difíceis de ser quantificados economicamente e talvez essa seja uma das razões pelas quais essas soluções não venham sendo utilizadas. No entanto, são benefícios que têm que ser considerados se pensarmos em longo prazo”, completou Angela.

Entre os exemplos dados pela publicação está a ampliação de banheiros secos, aqueles que evitam o lançamento de dejetos em tubulações ligadas a centros de tratamento de água ou em rios. Esse tipo de banheiro também permite a produção de composto orgânico ao final do processo. Em uma proposta de solução mais ampla, o relatório apresenta a experiência das cidades-esponjas, na China, em que construções absorvem água da chuva de forma rápida e segura.

A oficial do Programa Mundial de Avaliação de Recursos Hídricos da Unesco, Angela Ortigara - Antonio Cruz-Arquivo/Agência Brasil

Economia

De acordo com o relatório, as soluções baseadas na natureza apoiam a “economia circular”, aquela considerada restauradora e regenerativa, que busca reduzir os desperdícios e evitar a poluição, inclusive por meio do reúso e da reciclagem. Além disso, a tecnologia apoia os conceitos de crescimento verde e de economia verde, que  promovem o uso sustentável dos recursos naturais e aproveitam os processos naturais como fundamento das economias. “Essa utilização das SbN no setor hídrico também gera benefícios no campo social, econômico e ambiental, incluindo a melhoria da saúde humana e dos meios de subsistência, o crescimento econômico sustentável, empregos dignos, a reabilitação e a manutenção de ecossistemas, e a proteção/desenvolvimento da biodiversidade”, ressalta a publicação.

O relatório diz que a demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de aproximadamente 1% ao ano, devido ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico e às mudanças nos padrões de consumo, entre outros fatores, e continuará a aumentar de forma significativa durante as próximas duas décadas. No entanto, ao mesmo tempo, o ciclo hídrico mundial está se intensificando devido à mudança climática, com a tendência de regiões já úmidas ou secas apresentarem situações cada vez mais extremas.

Atualmente, estima-se que 3,6 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) vivem em áreas que apresentam potencial escassez de água de, pelo menos, um mês por ano. A expectativa, segundo a publicação, é de que essa população poderá aumentar para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050.

Desafios

De acordo com o relatório da Unesco, a degradação dos ecossistemas é uma das principais causas dos desafios relativos à gestão da água. A publicação estima que, desde 1900, entre 64% e 71% das zonas úmidas de todo o mundo foram perdidas devido às atividades humanas. Todas essas mudanças têm gerado impactos negativos na hidrologia, desde a escala local até a escala regional e mundial.

Outro desafio mostrado pela publicação é a qualidade da água. Desde a década de 1990, a poluição hídrica piorou em quase todos os rios da América Latina, da África e da Ásia. O documento prevê que a deterioração da qualidade da água se ampliará ainda mais durante as próximas décadas, o que aumentará as ameaças à saúde humana, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

O relatório prevê ainda que o aumento de exposição a substâncias poluentes será maior em países de renda baixa e média-baixa, principalmente devido ao crescimento populacional e econômico e à ausência de sistemas de gestão das águas residuais.

A publicação também estima que o número de pessoas que se encontram em situação de risco de inundações aumentará do atual 1,2 bilhão, para cerca de 1,6 bilhão, em 2050 – o correspondente a aproximadamente 20% da população mundial. A população atualmente afetada pela degradação e/ou pela desertificação e pelas secas é estimada em 1,8 bilhão de pessoas, o que torna essa categoria de “desastres naturais” a mais significativa, com base na mortalidade e no impacto socioeconômico relativo ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

Segundo a FAO, a qualidade biológica dos solos é fundamental para o equilíbrio ecológico e uma agricultura sustentável

Uso do solo

De acordo com o documento, os ecossistemas exercem importante influência no ciclo das chuvas, em escala local e continental. Em vez de ser considerada uma “consumidora” de água, a publicação ressalta que a vegetação deve ser vista como uma “recicladora” de água. Em âmbito mundial, até 40% da precipitação terrestre são gerados pela transpiração vegetal e pela evaporação do solo, também responsáveis pela maior parte das precipitações em algumas regiões.

“Portanto, as decisões relativas ao uso do solo em um determinado lugar podem ter consequências significativas para os recursos hídricos, as pessoas, a economia e o meio ambiente em lugares distantes – o que indica as limitações das bacias de drenagem (em oposição às “bacias de precipitação”) em servir como bases para o gerenciamento da água”, diz o texto.

Como alternativa, o relatório indica a parceria entre a tecnologia tradicional com o uso de infraestrutura verde, voltada para os recursos hídricos, que usa sistemas naturais ou seminaturais para oferecer opções de gestão da água, com benefícios equivalentes ou similares à tradicional infraestrutura hídrica cinza (construída/física).

“Em algumas situações, as abordagens baseadas na natureza podem oferecer a principal ou a única solução viável (por exemplo, a recuperação de paisagens para combater a degradação do solo e a desertificação), ao passo que para outras finalidades apenas uma infraestrutura cinza funcionaria (por exemplo, o fornecimento de água para uma casa por meio de canos e torneiras). Contudo, na maioria dos casos, as infraestruturas verdes e as infraestruturas cinzas podem e devem trabalhar em conjunto”, acrescenta a publicação.

Riscos relacionados à água

Atualmente, o mundo todo tem presenciado os riscos de desastres relacionados à água, como inundações e secas associadas a uma crescente mudança temporária de recursos hídricos em virtude de alterações climáticas. Segundo o relatório, cerca de 30% da população mundial vive em áreas e regiões afetadas rotineiramente por inundações e secas. A degradação dos ecossistemas é a principal causa dos crescentes riscos e eventos extremos relacionados à água e, além disso, ela reduz a capacidade de aproveitar plenamente o potencial das soluções baseadas na natureza.

“Vemos que cada vez mais estão se intensificando os eventos extremos, desastres naturais, justamente nas áreas que já estão sujeitas a esses desastres. Onde há seca, em zonas extremamente áridas, haverá cada vez mais secas, com cada vez mais impactos. Onde há inundações, vai ter cada vez mais inundações. O que vai acontecer é que áreas que nunca vivenciaram desastres naturais também poderão viver esses fenômenos. Isso é o principal desafio, que em parte pode ser controlado, mas grande parte, não”, afirmou o oficial de projetos de Meio Ambiente da Unesco, Massimiliano Lombardo.

Para a Unesco, a infraestrutura verde é capaz de desempenhar importantes funções relacionadas à redução de riscos. A combinação de abordagens de infraestrutura verde e cinza pode levar à redução de custos e a uma redução geral dos riscos. “As SbN podem melhorar a segurança hídrica geral, aumentando a disponibilidade e a qualidade da água e, ao mesmo tempo, reduzindo os riscos de desastres relacionados à água e gerando cobenefícios sociais, econômicos e ambientais. Elas permitem a identificação de resultados positivos para todos os setores”, diz o texto.

Inércia política

De acordo com o relatório, ainda existe uma inércia histórica contra as soluções baseadas na natureza, devido ao predomínio contínuo de soluções de infraestrutura cinza nos atuais instrumentos dos países em relação às políticas públicas, aos códigos e normas de construção. A consequência disso, em conjunto com outros fatores, é a frequente percepção de que as soluções baseadas na natureza são percebidas como menos eficientes, ou mais arriscadas do que os sistemas construídos (com infraestrutura cinza).

“Muitas vezes, as SbN exigem cooperação entre as várias partes e instituições interessadas, o que pode ser difícil de alcançar. Os arranjos institucionais atuais não evoluíram, levando em consideração a cooperação no que diz respeito às SbN. Faltam conscientização, comunicação e conhecimento em todos os âmbitos, das comunidades aos planejadores regionais aos formuladores de políticas nacionais, sobre o que as SbN realmente podem oferecer”.

“Continuam a existir mitos e/ ou incertezas sobre o funcionamento da infraestrutura natural ou verde, assim como sobre o que significam os serviços ecossistêmicos, em termos práticos. Também não é totalmente claro, às vezes, o que constitui uma SbN. Faltam orientação técnica, ferramentas e abordagens para determinar a combinação correta de opções de SbN e infraestrutura cinza”, adverte o documento.

Limites

O relatório alerta que é necessário reconhecer os limites da capacidade de suporte dos ecossistemas e determinar os valores a partir dos quais pressões adicionais causarão danos irreversíveis aos próprios ecossistemas. “Há limites ao que os ecossistemas são capazes de alcançar, e esses limites devem ser identificados com maior precisão. Por exemplo, os “pontos críticos”, além dos quais as mudanças negativas nos ecossistemas se tornam irreversíveis, são bem estudados na teoria, mas raramente são quantificados”, indica a publicação.

Segundo o documento as soluções baseadas na natureza não necessariamente exigem recursos financeiros adicionais, mas normalmente envolvem o seu redirecionamento, ou o uso mais efetivo dos financiamentos já existentes. “Investimentos em infraestrutura verde estão sendo mobilizados graças ao crescente reconhecimento do potencial dos serviços ecossistêmicos em oferecer soluções que tornam os investimentos mais sustentáveis e mais custo-efetivo no longo prazo”.

“O investimento nas soluções verdes é ainda muito baixo. Se você tiver que tomar uma decisão para o gerenciamento da água, eu diria: por favor, considere coisas que são diferentes das usuais. Pense em soluções mais verdes, que possam trazer benefícios não só para levar água do ponto A para o ponto B, mas para que nesse caminho possa gerar benefícios para o meio ambiente”, avaliou Angela Ortigara. “É necessário, principalmente para um país grande como o Brasil, em que a gente sempre pensa que tem muita água, suficiente para tudo, e acontece como em 2015, a seca em São Paulo, e a gente não sabe por quê”, completou.

O documento apoia ainda a incorporação de conhecimentos e práticas tradicionais às já consolidadas por comunidades locais sobre o funcionamento dos ecossistemas e a interação natureza-sociedade. Nesse sentido, a publicação sugere que devem ser feitas melhorias quanto à incorporação desses conhecimentos nas avaliações e no processo decisório.

“O relatório demonstra que o ser humano pode fazer uma parceria com a natureza, em vez de lutar e querer que ela se conforme com as nossas necessidades, é [importante] tentar acomodar a necessidade da natureza, no caso da água, de se espalhar, inundar uma planície, porque isso é importante para preservar a qualidade e a quantidade da água que, depois, o ser humano vai utilizar”, concluiu o oficial de projetos Massimiliano Lombardo.

Publicação

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (World Water Development Report – WWDR) é publicado anualmente, com foco em questões estratégicas sobre a água. O documento oferece um quadro geral do estado dos recursos de água potável no mundo e visa a proporcionar as ferramentas sustentáveis a serem utilizadas pelos tomadores de decisões.

Fonte: EBC – Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil

Disque Denúncia recebe 31 informações sobre morte de Marielle Franco

O Portal dos Procurados do Disque Denúncia recebeu até o início da manhã de hoje (19) 31 denúncias com informações sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista do aplicativo Uber, Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, que trabalhava para a parlamentar nos últimos dois meses. Eles foram mortos na última quarta-feira (14), no centro do Rio de Janeiro.

Disque Denúncia recebe 31 informações sobre o crime

Um cartaz com as fotos de Marielle e de Anderson foi divulgado no dia seguinte ao crime, pedindo informações sobre o crime que chocou o país.

A vereadora foi vítima de quatro tiros na cabeça e o motorista de três tiros nas costas, quando eles passavam pela Rua Joaquim Palhares, esquina de João Paulo II, no bairro do Estácio, a poucos metros do acesso ao morro de São Carlos.

A vereadora havia participado de uma reunião com mulheres negras na Rua dos Inválidos, na Lapa, e estava indo para casa, no bairro da Tijuca, na zona norte, acompanhada do motorista e de uma assessora, que foi atingida apenas por estilhaços de vidro do carro.

Ao todo, o veículo foi alvo de 13 disparos, sendo que quatro deles atingiram o vidro e nove a lataria. De acordo com investigadores da Delegacia de Homicídios, os tiros foram disparados de uma pistola 9 milímetros e o assassino sabia atirar bem, porque quatro tiros atingiram Marielle na cabeça.

Opções para se fazer a denúncia

As informações podem ser passadas para o Disque Denúncia, através dos seguintes canais: Whatsapp ou Telegram do Portal dos Procurados: (21) 98849-6099, para a Central de Atendimento: (21) 2253-1177, pelo Facebook ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. O anonimato é garantido.

Fonte: EBC – Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

Mineradora norueguesa pede desculpas à população após voltar a ser autuada

Secretaria de Meio Ambiente do Pará monitora níveis das bacias do sistema de tratamento de rejeitos nas instalações da mineradora Hydro Alunorte, acusada de ser responsável por um vazamento em Barcarena

A mineradora norueguesa Hydro AluNorte pediu desculpas à população de Barcarena (PA) e decidiu ampliar a reavaliação dos sistemas de tratamento de água e de gerenciamento de efluentes para toda a área da refinaria que funciona na cidade da região metropolitana de Belém, após ser novamente autuada pelo lançamento de resíduos tóxicos no Rio Paraná.

“Descartamos água de chuva e da superfície da refinaria não tratadas no Rio Pará. Isso é completamente inaceitável e contraria o que a Hydro acredita. Em nome da companhia, peço desculpas às comunidades, às autoridades e à sociedade”, disse o presidente da empresa, Svein Richard Brandtzæg, em nota.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará voltou a autuar a mineradora na última quinta-feira (15), após fiscais identificarem uma ligação entre a canaleta de escoamento de água das chuvas do galpão de carvão e o sistema de drenagem da fábrica ao lado, a Albras, que culmina no Rio Pará. Segundo a secretaria estadual, parte da água pluvial acumulada no interior do terreno da refinaria da Hydro AluNorte era lançada ao exterior por meio desta ligação clandestina sem antes passar pelo sistema de tratamento de efluentes industriais, conforme estabelece a licença de operação concedida à empresa. De acordo com a secretaria estadual, mesmo que o material despejado não se trate de resíduos diretos da produção, precisa ser tratado, pois pode estar contaminado.

“Isso ressalta a importância de uma revisão completa da AluNorte, incluindo interfaces da operação com áreas adjacentes e a situação de licenciamento da planta para verificar o cumprimento integral das licenças. Precisamos do entendimento total para que possamos implementar as ações necessárias”, acrescentou Brandtzæg.

Entre notificações e autos de infração, a autuação da última quinta-feira é a oitava sanção aplicada pela secretaria estadual à empresa. Entre elas está a determinação para a companhia reduzir suas operações e reduzir o nível de água nos depósitos de rejeitos. Até o último fim de semana, a secretaria ainda calculava o valor total das multas. Após ser notificada, a empresa terá prazo para apresentar sua defesa.

No começo de fevereiro, a mineradora contratou a empresa de consultoria brasileira SGW Serviços para avaliar o modelo de tratamento de água e verificar se o sistema de gerenciamento de efluentes da refinaria foi operado adequadamente. Posteriormente, com o surgimento de denúncias quanto à existência de pontos de despejo d´água irregulares, a empresa decidiu expandir a auditoria a fim de incluir todas as possíveis ligações entre a mineradora e as áreas ao redor. Além disso, uma auditoria interna realizada pela própria Hydro AluNorte deve revisar todas as licenças emitidas pelos órgãos responsáveis a fim de verificar a adequação da empresa à legislação do setor.

A companhia garante que a saída de água oriunda do telhado do galpão de armazenamento de carvão já foi fechado e que está trabalhando para encontrar a melhor solução para fechar também uma conexão entre a área de armazenamento de hidrato e o sistema de drenagem da fábrica vizinha. Na sexta-feira (16), a companhia anunciou ter planos de investir cerca de R$ 212 milhões de reais, ou 500 milhões de coroas norueguesas, no sistema de tratamento de água da refinaria de alumina de Barcarena, ampliando a capacidade da unidade suportar condições climáticas extremas.

A Hydro Alunorte é a maior refinaria de alumina do mundo. Emprega cerca de 2 mil pessoas e tem uma capacidade nominal de 6,3 milhões de toneladas por ano. O vazamento dos dejetos tóxicos foi denunciado por moradores de Barcarena, que, entre os dias 16 e 18 de fevereiro, notaram a alteração na cor da água de igarapés e de um rio. Dias depois, o Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, divulgou um laudo preliminar apontando que houve transbordamento dos depósitos de resíduos tóxicos, colocando em risco a saúde de moradores de ao menos três comunidades próximas. As primeiras análises de amostras do material colhido no local apontaram a presença de níveis elevados de chumbo, alumínio, sódio e outras substâncias prejudiciais à saúde humana e animal.

Fonte: EBC – Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Economia brasileira encolhe 0,56% em janeiro, indica o BC

BRASÍLIA (Reuters) – A economia brasileira começou este ano em contração, mas num desempenho melhor que o esperado, em meio às expectativas de retomada do crescimento em 2018.

Banco Central do Brasil cópia

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), encolheu 0,56 por cento em janeiro na comparação com o mês anterior, de acordo com dado dessazonalizado divulgado nesta segunda-feira.

A retração foi menor do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de queda de 0,80 por cento, na mediana das projeções de especialistas consultados.

Em dezembro, o indicador registrou expansão de 1,16 por cento, em número revisado pelo BC depois de divulgar antes uma alta maior, de 1,41 por cento.

Os diferentes setores da economia tiveram resultados mistos no início do ano, destacando a irregularidade da economia após voltar a crescer em 2017 na sequência de dois anos de profunda recessão.

A produção industrial mostrou a mais forte retração em dois anos ao encolher 2,4 por cento em janeiro, na comparação com dezembro. O volume de serviços recuou 1,9 por cento na mesma base, no pior resultado para janeiro em seis anos.

Por outro lado, as vendas varejistas voltaram a apresentar expansão, de 0,9 por cento, em um ambiente favorecido pela inflação e juros baixos, que ajudam o consumo.

Na comparação com janeiro de 2017, o IBC-Br, que incorpora projeções para a produção nos setores de serviços, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos, teve alta de 2,97 por cento, enquanto que no acumulado em 12 meses apresentou expansão de 1,20 por cento, segundo dados observados.

Para 2018, a pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a expectativa de especialistas é de expansão de 2,83 por cento do PIB, acelerando a 3 por cento em 2019.

Fonte: Reuters Brasília – Por Marcela Ayres; Edição de Patrícia Duarte

Ministério vai revogar regra que exigia curso para renovar CNH

O Ministério das Cidades anunciou neste sábado (17) que será revogada a resolução que tornava obrigatória a realização e aprovação em Curso de Aperfeiçoamento para motoristas renovarem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Por meio de nota, a pasta informou que a revogação se dará para “não afetar a rotina dos condutores que precisam renovar suas carteiras de habilitação/CNHs por todo o Brasil”.

O ministério informa ainda que a revogação vai reduzir custos. “Esta ação acontece em conformidade com os objetivos do Governo Federal, de reduzir custos e facilitar a vida do brasileiro”.

resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelecia que, a partir de junho deste ano, os condutores que fossem renovar a carteira de motorista teriam que passar por um curso teórico com exame para atualizarem seus conhecimentos. Esse curso de reciclagem seria composto por dez aulas e, para que os motoristas renovassem a documentação, deveriam obter um resultado favorável de, pelo menos, 70% da prova.

Ainda segundo a nota divulgada pelo Ministério das Cidades, a revogação acontecerá no próximo dia útil.

Fonte: EBC – Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil