Esquerda dividida prejudica ação sindical dos médicos

Fernando Paulino*
 Fernando Paulino
Ao mesmo tempo em que, em todo o país, as forças progressistas e democráticas se dedicam para consolidar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, consequentemente, defender o Estado Democrático de Direito da Nação Brasileira, um pequeno grupo de sindicalistas vem agindo na contramão, prejudicando seriamente a unidade de ação que deveria prevalecer à frente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro.
Em março do ano passado, a chapa 2, formada por militantes do PT, PCB, PCdoB e independentes, com apoio da CUT e CTB, ganhou as eleições sindicais, tirando da presidência Jorge Darze, que se perpetuava no cargo há 18 anos. Quem encabeçou a chapa vitoriosa foi o médico Jorge Luiz do Amaral, o Bigú, reconhecido militante da área de Saúde, sempre presente nas lutas gerais dos trabalhadores, nas últimas décadas.
O grupo do Darze conseguiu uma liminar, ainda em vigor, que impede formalmente a posse de Bigú na presidência do Sindicato. Esse não é o problema maior, já que há recursos na Justiça para cassar a liminar.
Nos últimos meses, porém, surgiu um sério problema político, com alguns companheiros da nova direção não querendo reconhecer a legitimidade política de Bigú, conquistada nas urnas e nas lutas. O pequeno grupo dissidente sequer chama o presidente eleito para os espaços decisórios do sindicato e de eventos públicos, o que impede que Bigú presida assembleias e atos sindicais, alegando que há, antes, uma questão jurídica a ser resolvida. Para eles, uma eventual liminar tem mais poder político do que o resultado eleitoral dos médicos. Priorizam uma questionável legalidade, tentando desqualificar a legitimidade. Até substituir os advogados que defendem Bigú está na pauta desses 10 diretores, o que certamente trará prejuízo a defesa de Bigu e a consequente posse imediata.
Essas discussões ganharam repercussões políticas que extrapolam a diretoria, já que trata-se de um atentado à democracia e a autonomia sindical. Vem ganhando corpo a ideia de se marcar, para breve, uma plenária de apoiadores da chapa 2 com os membros da direção eleita, tentando assim construir uma solução que viabilize a posse política do presidente eleito e as lutas históricas dos médicos do Rio de Janeiro.
Para isso, tanto o PT como a CUT, através de seus setoriais, têm um papel fundamental a cumprir, discutindo firmemente com seus representantes na direção sindical.
*Fernando Paulino é jornalista

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